Hortelã e sua ação antimicrobiana

Pesquisa de doutorado da cirurgiã-dentista Iza Teixeira Alves Peixoto aponta que o uso do extrato de Mentha spp. – cujo nome popular é hortelã – demonstra potencial como antimicrobiano contra cepas de Candida, principalmente a albicans, patógeno comensal que pode ser encontrado na cavidade bucal. O estudo foi realizado preliminarmente com o óleo essencial da planta, mas já dá prova de que poderá originar novas modalidades de tratamento fitoterápico, em particular contra doenças infecciosas por esta espécie, como a candidíase.

Produtos naturais como a hortelã, que desenvolve um dos mais consumidos óleos essenciais, podem originar novas modalidades de tratamento. Várias espécies têm sido analisadas quanto a suas diferenças metabólicas, composições químicas, propriedades antibacterianas, antifúngicas e antivirais. Estão sendo conduzidas pesquisas atualmente para avaliação biológica de suas propriedades medicinais no combate a vários tipos de doenças.

A candidíase ou candidose é uma infecção comum no homem, sendo causada por espécies de Candida, juntamente com a imunodeficiência do hospedeiro. Por ser um microrganismo comensal, entre 30% e 50% das pessoas simplesmente o possuem em sua cavidade bucal sem evidência clínica de infecção. “Como faz parte do organismo, é chamado de fungo patogênico oportunista, respondendo por cerca de 80% das infecções fúngicas hospitalares documentadas até hoje”, diz a autora da tese.

A infecção por Candida e a resistência crescente destes patógenos aos antifúngicos químicos sintéticos têm sido um estímulo determinante para que mais pesquisadores sejam levados a investigar a ação antimicrobiana de drogas alternativas, em particular provenientes de extratos de plantas, no que diz respeito ao seu poder antimicrobiano, assim como relacionado ao seu potencial de toxicidade no organismo humano.

A pesquisadora ressalta o valor de selecionar o acesso da Mentha spp. não apenas com a função de melhorar o odor ou o seu sabor, mas também para aplicações antimicrobianas. “As indústrias poderão escolher o acesso mais adequado à sua produção, ou seja, aquele que produz o óleo de melhor rendimento, melhor atividade antimicrobiana, numa baixa concentração e que não seja tóxica aos tecidos humanos. Os dados da presente pesquisa, aliás, desvelam novas perspectivas para melhoramento genético”, salienta.

Acredita-se que o maior achado da tese foi demonstrar que plantas do gênero Mentha têm atividades antimicrobianas, uma destacada contribuição para essa linha de investigação. O óleo estudado, aborda ele, se prestaria mormente a pacientes hospitalizados e imunodeprimidos. No entanto, pesquisas que tendem a viabilizar o uso de extratos de plantas ou seus componentes bioativos, como alternativa aos quimioterápicos e antifúngicos, têm ainda muito a evoluir, em razão da diversidade e complexidade de suas propriedades fisiológicas e bioquímicas, quando comparadas a produtos sintéticos ou biossintéticos encontrados em drogas desde o século passado. (Asbran)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: