A grelina e os paradoxos da obesidade

Estudo da Unicamp desmistifica a substância e derruba a tese de que ela seria uma das causas da obesidade

A descoberta da grelina por pesquisadores japoneses, em 1999, pode vir a ser um caminho para o conhecimento da etiologia da obesidade – acúmulo de tecido adiposo (gordura), levando a um aumento de peso superior a 25% do considerado normal?

Essa substância, produzida pelos neurônios e principalmente pelo estômago, foi revelada por cientistas britânicos como o fator que estimula o apetite.

Com as novas descobertas, o Grupo de Cirurgia de Obesidade da Unicamp adiantou-se em analisar o assunto, que ainda persistia com a dúvida: se a substância induz à fome, o obeso produz muita grelina? A Unicamp provou que não. A hipótese foi testada com obesos mórbidos, comparados a pacientes de peso normal.

“Surpreendeu-nos que pacientes de peso normal tenham grelina alta e obesos mórbidos, grelina baixa, derrubando a hipótese de que a causa da obesidade seria o excesso da substância”, afirma Bruno Geloneze, endocrinologista que integra o Grupo. “O obeso demonstra ser mais sensível à ação da grelina e tem um mecanismo que reduz sua produção a partir do ganho de peso.

”Somado ao fato de o obeso produzir pouca grelina, admite-se que, quando ele emagrece, passa a ter um aumento na grelina. “Mas, em nosso estudo, paradoxalmente, ela permaneceu baixa.

Concluímos à partir ddesse estudo, que a pessoa já carregava geneticamente o quanto iria produzir de grelina ou que a exclusão do estômago do trânsito alimentar levaria à diminuição do hormônio”,explica o endocrinologista.

Segundo Geloneze, um estudo apurado dos hormônios da obesidade traduz as conseqüências hormonais, metabólicas, causais e comportamentais da alimentação.

No cérebro, o receptor responsável pelo estímulo à secreção de hormônio de crescimento, era conhecido como receptor-órfão, por até então se desconhecer que seu (estimulador) natural, já existia. Era a grelina. Descobriu-se que, além de favorecer o aumento da ingestão alimentar e do peso em animais, a sua injeção aumenta a secreção ácida pelo estômago e prepara o organismo para o consumo, digestão e acúmulo de energia. “É um orexígeno (provoca fome) natural.”

Nas cirurgias, grelina parece ser a chave para perder quilos, conforme estudos do Veteran Affairs Puget Sound, da Califórnia,e da Universidade de Washington, que comparam a eficácia das dietas e das cirurgias que reduzem o estômago.

Um paciente que se submete à cirurgia, sofre modificação no tamanho do seu estômago, que recebe menos alimentos. Mais do que o emagrecimento que provoca, diminui a produção de grelina. Por isso, o obeso emagrece e passa a sentir menos fome. Esta afirmação é mostrada em estudo da publicação The New England Journal of Medicine.

O pesquisador David Cummings, no mesmo periódico, enfatiza que as células de grelina “dormem”, quando privadas do contato com nutrientes ingeridos. “Esta descoberta ajudará a desenvolver drogas mais eficazes”, conta.

Claro que mais estudos são necessários, mas os caminhos estão abertos e sendo percorridos.

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