Antioxidantes ajudam no tratamento e prevenção do câncer

A terapia nutricional com antioxidantes concomitante à administração de drogas antineoplásicas apresenta vários benefícios ao tratamento de pacientes oncológicos. A oferta de vitaminas antioxidantes como a A, E e C associada às drogas antiblásticas resulta em menores efeitos colaterais e permite que a continuidade do tratamento empregado não seja prejudicada, pois a toxicidade causada pelas drogas antineoplásicas é fator limitante desta terapia. Desta forma, a terapêutica nutricional baseada na utilização de antioxidantes pode ampliar os conceitos da terapia oncológica atual e permitir melhores resultados quanto ao controle do câncer.

Os Radicais Livres (RL) são definidos como qualquer espécie de existência independente que contém um ou mais elétrons desemparelhados. São altamente reativos e instáveis, possuindo vida curta.11,12 A formação destas moléculas ocorre naturalmente no organismo de todos os seres vivos, devido à exposição ao oxigênio molecular.

Os efeitos dos prejuízos causados pelo oxigênio variam de acordo com o organismo estudado, idade, estado fisiológico e dieta.12

Os RL são produzidos por modificações químicas de proteínas, lipídios, carboidratos e nucleotídeos, resultando em uma variedade de consequências biológicas, incluindo lesão tecidual, mutação, carcinogênese, comprometimento do sistema imunológico, doenças e morte celular.13

A produção aumentadadas espécies de oxigênio reativo (EOR) ou o desequilíbrio entre a  disponibilidade dos antioxidantes para neutralizar estas espécies podem conduzir ao chamado estresse oxidativo.13-16

Os antioxidantes são substâncias que, mesmo presentes em baixas concentrações, são capazes de atrasar ou inibir as taxas de oxidação.11,15 A classificação mais utilizada para estas substâncias é a que as divide em dois sistemas o enzimático, composto pelas enzimas produzidas no organismo, e o não-enzimático, fazendo parte deste grupo as vitaminas e outras substâncias como os flavonóides, licopeno e bilirrubina.15

Os antioxidantes agem nas três linhas de defesa orgânica contra as Espécies de Oxigênio Reativas (EOR). A primeira linha, que é a de prevenção, se caracteriza pela proteção contra a formação das substâncias agressoras. A segunda linha é a interceptação, e neste estágio os antioxidantes precisam interceptar os RL, os quais, uma vez formados,iniciam suas atividades destrutivas. E a última linha é o reparo. Ela ocorre quando a prevenção e a interceptação não foram completamente efetivas e os produtos da destruição pelos RL estão sendo continuamente formados em baixas quantidades e desta forma podem se acumular no organismo.19

O sistema não enzimático é composto pelas vitaminas A (retinol), E (â-tocoferol) e C (ácido ascórbico) e outros compostos como a metalotioneína, bilirrubina e ácido úrico, o zinco e o selênio.11

É possível concluir que as interações entre antioxidantes e agentes antineoplásicos produzem benefícios importantes aos pacientes oncológicos, contribuindo para o sucesso do tratamento empregado. Dentre estes benefícios, destaca-se a capacidade que os antioxidantes possuem

em potencializar os efeitos das drogas antineoplásicas. Este fato é especialmente importante porque possibilita a redução dos efeitos colaterais causados por estes medicamentos, através da diminuição da dose administrada, sem que haja prejuízo nos seus efeitos terapêuticos.

Um outro fato positivo verificado é que os antioxidantes, por si só, também conseguem controlar o crescimento tumoral sem produção de toxicidade, porém com menor eficiência do que as drogas antiblásticas. Mas, ao associar estas duas substâncias pode-se alcançar o efeito desejado com menores efeitos colaterais, uma vez que os antioxidantes minimizam a toxicidade causada pelas drogas ao interagirem com os RL.

É importante uma triagem pré-tratamento da quantidade corpórea de antioxidantes para prever o nível de efeitos colaterais que poderão surgir, e determinar que medidas terapêuticas poderão ser realizadas para minimizar tais acontecimentos, pois se sabe que a redução de antioxidantes está relacionada com a carcinogênese, o aparecimento de metástases e com o fracasso do tratamento oncológico.

Os estudos a respeito da associação de vitaminas antioxidantes e drogas antineoplásicas mostram a importância da manutenção dos níveis destes nutrientes para o paciente oncológico. Estas medidas podem ser realizadas através de intervenções nutricionais efetivas, as quais irão permitir um estado nutricional adequado ao paciente, capaz de suportar o tratamento oncológico proposto com maior tolerância e melhor qualidade de vida.

Apesar de tão promissores os resultados provenientes da terapia nutricional com antioxidantes aplicada ao paciente oncológico, a pesquisa a respeito deste tema ainda é muito reduzida, se for levada em consideração a grande possibilidade de combinações entre estes nutrientes e agentes antineoplásicos, e além disto, esta terapia é ainda muito pouco empregada no tratamento de pacientes oncológicos no Brasil.

 

*Este artigo é parte da monografia apresentada no curso de Pós Graduação em Nutrição Clínica da Universidade Federal Fluminense.

1Especializanda do curso de Nutrição Oncológica do Instituto Nacional de Câncer, Especialista em Nutrição Clínica e Cirúrgica, pela FHDF (Programa de

Residência) e Especialista em Nutrição Clínica pela Universidade Federal Fluminense.

 

 

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