Uma pesquisa mostra que o paladar das crianças é formado desde muito cedo

Uma pesquisadora da Universidade de São Paulo, dra. Isa Gouveia Jorge, fez um estudo que  revelou vários aspectos interessantes da formação dos hábitos alimentares das crianças.

O paladar de cada pessoa é único e não nasce com a pessoa. Ele vai sendo formado ao longo dos anos pelas experiências, assim como os livros que lemos, os lugares e as pessoas que conhecemos. Ele é um patrimônio que orienta o nosso dia a dia, as nossas escolhas.

Para escolher, precisamos aprender a reconhecer as diferenças. Nos primeiros dias de vida, vem a lição que ninguém esquece. É espantoso, mas o leite materno não é igual durante todas as horas do dia.

“A criança que é aleitada ao leite materno já conhece diversos sabores. O leite materno muda de sabor conforme a alimentação da mãe, diferente de uma criança que é amamentada com mamadeira, que o sabor é sempre o mesmo, não muda. Ou seja, o aleitamento favorece a formação de um paladar mais rico. A criança vai ter mais predisposição para experimentar o alimento diferente, aquele que é novo”, explica a pesquisadora.

Aí é que entra a educação em casa, a preocupação dos pais com o que vai para sua mesa e principalmente e tão importante quanto, a alimentação de seus filhos.
Novidade é mesmo com as crianças, mas na hora de comer nem tanto. Foram testados 29 alimentos que fazem parte do cotidiano dos brasileiros em 400 crianças de 4 a 6 anos.

A lista dos campeões: – Batata frita – Pizza – Chocolate – Salgadinhos tipo chips – Salsicha – Biscoito recheado – Refrigerante

Dos dez alimentos que mais atraíram as crianças, só três são considerados saudáveis: – Frango – Iogurte – Melancia

A pesquisadora afirma que o paladar dessas crianças está moldado a partir de alimentos de baixa qualidade. “Existem pesquisas que mostram que o que a criança consome até os 4 anos vai ser o padrão da alimentação dela na fase adulta. Então, se ela tiver um repertório grande até os 4 anos, existe maior a chance dela ter uma alimentação mais saudável e mais diferenciada na vida adulta”, ressalta.

Se todo mundo sabe que os alimentos naturais são os melhores para a saúde, natural mesmo seria se eles fossem sempre os mais procurados, os mais consumidos, os campeões de audiência. Mas muitos pais são capazes de passar com o carrinho pela área de frutas do supermercado sem nem olhar para os lados. E seguem direto para setores que têm comida pronta. Será apenas uma questão de praticidade, de falta de tempo para escolher, para preparar? Ou será apenas uma questão de gosto? Mas que gosto é esse?

Descobrimos, então, o lado mais sedutor e arriscado do paladar.  Uma mesa que arrebata crianças e adultos tem três segredos.

A doutora Isa aponta quais são os dois primeiros: “Gordura e sal. Em alguns deles, você vai encontrar também Glutamato Monossódico, que realça o sabor”.

Com gordura, sal e o glutamato, tudo fica mais gostoso e perigoso. E muitos são os riscos para a nossa saúde: risco de doenças cardíacas por excesso de sal, hipertensão. E o sódio também interfere na absorção do metabolismo do cálcio. Principalmente para mulheres, o risco de osteoporose aumenta.

E vários alimentos têm sódio em excesso. Uma sopinha de pacote chega a ter 800 miligramas só de sódio. Uma porção de macarrãozinho instantâneo, que parece inofensiva, tem quase dois gramas. Até os biscoitos doces têm sódio para realçar o sabor.

“Por exemplo, o cereal matinal,  passa uma idéia de que, por exemplo, de ser rico em fibras, mas o que ele vai ter mais é açúcar, gordura e sódio”.

Mas os grandes vilões da mesa são os salgadinhos de pacote. “Eles são intrinsecamente desbalanceados, porque eles são um alimento feito com gordura, sal e amido”.

Até alimentos saudáveis como o atum, o palmito e a azeitona acabam sendo consumidos com muito sódio, pois são conservados no sal. Sem contar a campeã de popularidade: a pizza. “Uma fatia (de pizza) vai ter em torno de 300 miligramas de sódio. Então, as pessoas, às vezes, comem meia pizza, que são três fatias. Aí você vai ter 900 miligramas.

Então, quanto mais se busca esses sabores ou se oferece às crianças, menos elas vão se interessar pela alimentação mais saudável. Pense bem antes de oferecer às crianças esses alimentos, porque depois, num futuro próximo, elas não vão mais querer alimentar-se de forma saudável.

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