Hepatite C e soja

A hepatite C é causada por um vírus denominado VHC ou HCV(vírus da hepatite C). A principal via de transmissão do VHC é o contato de sangue e das secreções contaminados pelo vírus com o sangue de um indivíduo sadio (via parenteral).

É o nome dado aos mecanismos de transmissão de algum agente infeccioso ou o uso de qualquer medicamento adquirido ou administrado por via que não seja oral (geralmente com uso de seringas).

Hoje, atinge cerca de 170 milhões de pessoas no mundo, sendo aproximadamente 2,7 milhões somente no Brasil.

A hepatite C é um problema significativo de saúde pública por causa do grande número de casos que evoluem para a forma crônica da doença. Os sintomas são geralmente leves ou ausentes, o que dificulta e atrasa o diagnóstico da doença.

É uma doença que precisa ser tratada com seriedade, pois cerca de 80% dos casos da hepatite C se tornam crônicos, podendo evoluir para cirrose e câncer hepático.

Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia na revista World Journal of Gastroenterology concluiu que a intervenção nutricional com soja deve ser considerada em pacientes com hepatite C crônica, pois apresentou efeitos benéficos na melhora da inflamação e esteatose hepática.

Trata-se de um estudo clínico prospectivo, randomizado e duplo-cego, que avaliou 160 indivíduos com hepatite C crônica. Os pacientes foram divididos igualmente em dois grupos (n= 80). Cada grupo recebeu a suplementação com 32 g de proteína por dia durante doze semanas. Porém, o grupo controle foi suplementado com proteína animal (caseinato de cálcio) e o grupo intervenção foi suplementado com proteína vegetal (soja integral em pó).

Os pacientes foram orientados a dissolver o suplemento em água, suco, sopa, mingau ou em frutas. Além disso, os pacientes receberam orientações dietéticas para promover a alimentação saudável e controle de peso. Foi realizado um aconselhamento dietético destinado a promover a ingestão de uma dieta normocalórica, normolipídica e com 1,5 g de proteína/kg de peso corporal por dia para ambos os grupos.

Os pesquisadores observaram que 48,1% dos pacientes estavam com sobrepeso, 43,7% tinham acúmulo de gordura abdominal, 34,7% apresentaram esteatose hepática e 36,3% resistência à insulina. Houve redução da esteatose hepática em ambos os grupos, no entanto, observou-se que os pacientes do grupo soja apresentaram 75% menor chance de desenvolver esteatose hepática. Além disso, houve redução significativa nos níveis de alanina aminotransferase (ALT) no grupo da soja. Níveis elevados de ALT indicam doença com maior atividade.

“Nosso trabalho é caracterizado pela sua originalidade, uma vez que avaliou o impacto da intervenção nutricional da soja em uma população de pacientes infectados com do vírus da hepatite C. Para nosso conhecimento, este é o primeiro estudo a mostrar que a suplementação de proteína de soja diminui os níveis de ALT e reduziu a esteatose hepática”, destacam os autores.

“Portanto, a suplementação com proteína de soja deve ser considerada no manejo nutricional de pacientes com hepatite C crônica. No entanto, mais ensaios clínicos são necessários para confirmar nossos resultados”, concluem.

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