iImportância do tratamento nutricional na Síndrome do Ovário Policístico

A Síndrome do Ovário Policístico é um distúrbio endócrino feminino, extremamente comum na idade reprodutiva. A principal alteração na fisiopatologia é desconhecida. Entretanto, a resistência à insulina, o hiperandrogenismo e a alteração na dinâmica das gonadotropinas são os mais importantes mecanismos fisiopatológicos envolvidos. As características clínicas mais freqüentes incluem períodos menstruais irregulares, infertilidade, dificuldade de perda de peso, obesidade especialmente na cintura, acne, hirsutismo, seborréia, alopécia. Atualmente, as drogas recomendadas para o tratamento da síndrome e suas características são os contraceptivos orais, antiandrógenos e sensibilizantes de insulina. Além disso, a modificação no estilo de vida torna-se essencial (AZZIZ et al, 2004; YARAK et al, 2005).

A sensibilidade reduzida à insulina, comum entre as mulheres que têm a sínrome é um importante fator de risco para o desenvolvimento de diabetes na fase adulta. O sobrepeso associado pode contribuir para baixos níveis de HDL colesterol e altos níveis de outras gorduras, inclusive triglicerídeos e LDL colesterol. Esses fatores aumentam o risco de doenças cardíacas e acidente vascular cerebral em idades mais avançadas. Assim, a falta de diagnóstico correto da Síndrome do Ovário Policístico preocupa uma

vez que, sem os cuidados apropriados, as mulheres portadoras têm maiores riscos de desenvolver diversas patologias.

Alguns autores sugerem, inclusive que a hiperinsulinemia, observada em pessoas com excesso de peso por exemplo, é causa da síndrome pois age sobre os ovários, estimulando a produção de hormônio masculino. A conseqüência natural, na mulher, é a alteração na ovulação e a formação de cistos, além de problemas de fertilidade.

Segundo Marsh e Brand-Miller, 2005, a composição de uma dieta ideal para o tratamento da Síndrome do Ovário Policístico ainda não está bem estabelecida, entretanto a dieta pode auxiliar no controle do peso e sintomas, assim como reduzir o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares (figura 1). Sabe-se ainda que o tipo de gordura ingerida pode aumentar a produção de citocinas pró-inflamatórias, as quais entram no lugar dos receptores de insulina, gerando ainda mais resistência. Além disso o excesso de carboidratos simples também pode sobrecarregar o pâncreas levando ao hipersinsulinismo.

Uma vez que a resistência à insulina e a hiperinsulinemia têm sido consideradas fatores chave na patogênese da síndrome, a redução dos níveis sanguíneos e o aumento da sensibilidade à insulina são essenciais durante o tratamento. Neste contexto, a alimentação tem um importante papel na manutenção da glicose sanguínea e dos níveis de insulina. Dietas ricas em fibras e que controlam o índice glicêmico dos alimentos devem ser consideradas. Além disso, para tratar os outros sintomas associados à síndrome, é importante, adequar a composição nutricional da dieta e incentivar o consumo de nutrientes antiinflamatórios e antioxidantes a fim de melhorar o perfil lipídico e controlar o peso.

Uma dieta com baixa ingestão de gorduras saturadas, com baixo índice glicêmico e rica em fibras e em alimentos antioxidantes é uma ótima escolha para as pacientes. Esse tipo de alimentação, em curto prazo, reduz os sintomas, e em longo prazo diminui as chances da mulher ter as doenças ligadas à sensibilidade a insulina.

 

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