Dieta rica em gordura está relacionada com inflamação?

Sim. Estudos em animais e humanos têm demonstrado que as dietas ricas em gordura, especialmente as gorduras saturadas de cadeia longa, induzem a ativação de uma resposta inflamatória nas áreas do hipotálamo envolvidas com o controle da fome e da termogênese.

Dietas ricas neste tipo de gordura geram uma resposta inflamatória semelhante ao de uma infecção, pois aumentam a permeabilidade ao LPS (lipopolissacarídeo, também conhecido como endotoxina, derivada de bactérias do intestino grosso), estimulando os mesmos receptores que respondem ao processo infeccioso, o que produz inflamação de baixo grau.

Em modelos animais, vários estudos têm demonstrado que a dieta rica em gordura está associada com aumento da expressão de uma série de citocinas pró-inflamatórias ou biomarcadores de inflamação no tecido adiposo. Demonstrou-se em estudo feito com camundongos que o consumo prolongado de dieta rica em gordura induz ao estresse oxidativo e inflamação na próstata dos animais.

Os mecanismos fisiológicos que ligam a dieta rica em gordura à inflamação incluem a produção de várias adipocitocinas. Essas citocinas pró-inflamatórias afetam certos tecidos-alvo, causando inflamação através da ativação de fatores de transcrição que resultam no recrutamento e ativação de macrófagos e infiltração de linfócitos. Todos esses processos estão correlacionados com propensão a desenvolver eventos isquêmicos.

Além disso, esse processo inflamatório prejudica os circuitos neuronais que mantêm o controle homeostático das reservas corporais de energia, favorecendo assim o ganho de massa adiposa, estando associado com resistência à insulina e disfunção endotelial.

Outro tipo de gordura relacionada com aumento de resposta inflamatória são os ácidos graxos poli-insaturados ômega-6. Em condições inflamatórias, há um aumento da síntese de eicosanóides da série par provenientes do metabolismo dos ácidos graxos ômega-6, que são potentes mediadores inflamatórios. Por outro lado, os eicosanóides provenientes do metabolismo dos ácidos graxos ômega-3 resultam em resposta inflamatória atenuada, capaz de inibir a resposta inflamatória aguda, induzida ou agravada por eicosanóides derivados do metabolismo dos ácidos graxos ômega-3. O grande problema, é o desequilíbrio existente em nossa alimentação entre ômega-6 (mais abundante- óleos vegetais-milho, soja,girassol, leite, ovos) e ômega-3 (menos abundante-peixes de águas frias -salmão, sardinha, atum, cavala- azeite de oliva, linhaça). Com isso, há prevalência de ômega-6, causando o desequilíbrio, desencadeando alterações em algumas reações químicas no organismo e favorecendo inclusive, os processos inflamatórios.

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