Como lidar com a alimentação infantil?

20100521085914Tal como já falamos aqui, a experiência alimentar influencia os padrões alimentares, o desenvolvimento sócio-emocional da criança e a qualidade da relação pais-filhos. O principal foco de interação entre pais e filhos, durante os primeiros anos de vida da criança, é, em geral, o momento da refeição, iniciando-se este processo com a amamentação, onde a expressão orofacial do bebe é interpretada pelos pais como resposta de prazer ou insatisfação, originando um processo de interação e de oportunidade única de aprendizagem recíproca, não apenas sobre o processo alimentar, mas sobre outros comportamentos da criança.

O desenvolvimento do paladar inicia-se durante esta fase, em função das diversas características sensoriais do leite materno. A composição deste modifica-se à medida que a lactação progride, com diminuição dos níveis de lactose e aumento dos níveis de cloreto, tornando o leite levemente salgado. Essa mudança pode favorecer a aceitação dos alimentos complementares no tempo oportuno.

Durante a introdução de novos alimentos, inicia-se a aprendizagem de novos sabores e consistências, mas isso se dá através da ingestão repetida e variada,  que permite a criança exercitar o seu paladar, aprendendo a gostar e a associar os sabores com a reação afetiva do contexto social e com a própria satisfação fisiológica da alimentação.

 Um estudo realizado com crianças em idade pré-escolar, verificou que os alimentos não podem apenas ser percebidos visualmente, ou pelo odor, é necessário provar o alimento, mesmo que em pequenas quantidade, para que se produza a sua aceitação. Diante um sabor novo, a aceitação do alimento ocorre somente após 12-15 apresentações, o que pode determinar a desistência dos pais, justificando que a criança não gosta. Contudo a exposição repetida pode reduzir a recusa em experimentar alimentos novos, tão frequente na idade pré-escolar, e que tem como resultado uma dieta limitada e pouco diversificada.

Ainda na aprendizagem associada ao sabor, verifica-se que  ha maior aceitação de alimentos desconhecidos quando estes são adocicados. Esta característica de melhor aceitação é inata e tem sido relacionada com as experiências pré-natais de sensibilização pelo contacto com o líquido amniótico, que é aromático e o seu odor influenciado pela dieta da mãe.

Por outro lado, o contato com alimentos calóricos promove uma consequência fisiológica de saciedade, que, associada ao sabor, aumenta a sua aceitação e preferência, o que justifica a fácil aceitação da maioria das crianças por este tipo de alimentos denominados fast-food.

A consistência dos alimentos é igualmente alvo de aprendizagem. É aconselhável o consumo de alimentos de texturas variadas, pois estas favorecem a maturação da fase oral da deglutição. Uma dieta alimentar pouco consistente, adquirida na infância, pode levar á falta de capacidade muscular, fazendo com que a criança tenha preferência por alimentos mais pastosos, criando um ciclo vicioso entre a mastigação deficitária e as alterações produzidas por ela.

Fazer as refeições em contexto familiar, na presença dos irmãos, dos amigos e dos pais que lhe servem de modelos e que a elogiam ou chamam à atenção para o comportamento à mesa, influencia a experiência e mesmo os padrões alimentares.

 Forçar ou coagir a criança a comer resulta, habitualmente, em reações de oposição, diminuindo a preferência da criança por esses alimentos. Estas práticas alimentares controladoras têm igualmente sido associadas a uma menor autorregulação da criança, podendo impedir o autocontrole, responsável pela sensação de fome e saciedade, resultando em alterações do comportamento alimentar, com maior risco para obesidade futura. Segundo o mesmo autor, também a utilização dos alimentos como recompensa ou castigo tem sido associada a efeitos adversos nas preferências por determinados alimentos e, mais tarde, a perturbações do comportamento alimentar e obesidade, pois levam as crianças a associar a sensação de saciedade com situações de frustração e conflito.

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