Fibromialgia e creatina

fibromialgia

O termo fibromialgia refere-se a uma condição dolorosa generalizada e crônica. É considerada uma síndrome porque engloba uma série de manifestações clínicas como indisposição, fadiga, distúrbios do sono e dor que incomoda bastante. Muitas vezes as pessoas receberam  um diagnóstico nebuloso de “fibrosite”, isso porque acreditava-se que houvesse o envolvimento de um processo inflamatório muscular, daí a terminação “ite”.

Pesquisadores brasileiros do Laboratório de Avaliação e Condicionamento em Reumatologia (Lacre) da Universidade de São Paulo publicaram na revista Arthritis Care and Research um estudo que demonstrou efeitos benéficos da suplementação de creatina em pacientes com fibromialgia por melhorar a força muscular.

Trata-se de um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo que avaliou 28 pacientes com fibromialgia. Os pacientes foram aleatoriamente distribuídos em dois grupos: grupo creatina e grupo placebo. O grupo creatina recebeu 20 g de creatina monohidratada durante cinco dias, divididos em quatro doses iguais, consumidos durante as refeições. Ao término desses cinco dias, os pacientes passaram a receber uma única dose de 5 g/dia de creatina monohidratada até completar 16 semanas de suplementação. Os dois grupos, creatina e placebo, passaram por programa de treinamento físico no Lacre, durante o tratamento.

Os pacientes foram avaliados no início e após 16 semanas. Foram investigados parâmetros que avaliaram a função muscular, condicionamento aeróbio, função cognitiva, qualidade do sono, qualidade de vida, função renal e os efeitos adversos.

Após a intervenção, o grupo creatina apresentou maior teor de fosfocreatina intramuscular, quando comparado com o grupo placebo (80,3% e 2,7%, respectivamente, p=0,04). Segundo os pesquisadores, o músculo com mais fosfocreatina tem mais fonte de energia para produzir força. Por essa razão, o grupo creatina apresentou maior força muscular do que o grupo placebo (p=0,002). A força isométrica também foi maior no grupo creatina do que no grupo placebo (p=0,007). De acordo com os autores, não houve diferença entre os grupos em relação à ingestão alimentar e não houve efeitos adversos com a suplementação.

“A fibromialgia é uma síndrome crônica de etiologia desconhecida, caracterizada por dor generalizada, disfunção e deficiência muscular, fadiga, distúrbios psicológicos, disfunção cognitiva e do sono, além de distúrbios do humor. A suplementação com creatina foi recentemente reconhecida com potencial para o tratamento adjuvante de diversos tipos de doenças, incluindo as caracterizadas por perda e disfunção de massa muscular, com baixa massa óssea, doenças do sistema nervoso central e distúrbios metabólicos”, destacam os autores. Entretanto, segundo os autores, este foi o primeiro estudo randomizado e controlado realizado para investigar a eficácia e a segurança da suplementação de creatina em pacientes com fibromialgia.

“Esses resultados revelam o potencial da suplementação de creatina como uma intervenção dietética útil para melhorar a função muscular em pacientes com fibromialgia”, concluem.

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