Meu filho não come

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Essa é uma queixa comum em consultório. Parece que essa queixa tem se intensificado de uma forma impressionante nos últimos anos. Muitas são as razões e já discutimos isso por aqui inúmeras vezes. Dados norte-americanos mostram que 10 a 25% das crianças têm algum transtorno alimentar. Este índice pode atingir cerca de 80%, quando é analisada a rejeição alimentar mediante comportamento aprendido. Um dos mais freqüentes distúrbios alimentares é a seletividade alimentar, embora muitos profissionais não concordem com essa afirmação. São reconhecidas suas principais características clínicas, na tríade de recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento.

Abaixo fazemos algumas considerações de alguns tipos de anorexia.

A anorexia fisiológica, como evidenciado pela denominação, não é um distúrbio verdadeiro, porém por vezes é relatado como tal pelos responsáveis. Instala-se na maior parte das vezes entre 6 e 12 meses de idade, acentuando-se ao final do 1º ano de vida; pode durar cerca de 4 a 5 anos. Neste período, a criança apresenta uma diminuição do apetite, devido à desaceleração no seu crescimento. Além disso, o interesse pelo alimento é substituído pela enormidade de estímulos e descobertas que a criança faz no meio ambiente. Nesta situação, a redução do apetite é global, a queixa não tem desencadeante e início bem determinados, não há outros dados referentes a distúrbios psíquicos da criança, da mãe, do vínculo entre mãe e filho, ou de problemas sociais relevantes. A criança não apresenta alteração do estado nutricional.

anorexia infantil ou anorexia verdadeira caracteriza a criança que não consome, espontaneamente, uma quantidade de alimentos suficiente para o adequado crescimento e desenvolvimento. As condições desfavoráveis à aceitação alimentar podem ser de origem orgânica ou comportamental.

A anorexia subjetiva caracteriza a situação na qual a criança come pouco na opinião dos familiares, porém apresenta crescimento dentro do considerado normal e esperado. O quadro sobrepõe-se ao da anorexia fisiológica, exceto pelo posicionamento dos pais ou responsáveis.

pseudo-anorexia fica caracterizada frente à recusa alimentar determinada por dificuldade de mastigação e/ou deglutição, presença de aftas, fissura palatina, estomatite, dores dentárias ou outras condições que provoquem dor e sofrimento.

anorexia seletiva ou seletividade alimentar caracteriza a criança que apresenta recusa total ou parcial a determinado(s) tipo(s) de alimento(s). No seu extremo o quadro é bastante característico, porém, a existência de paladar e de preferências alimentares entre as crianças saudáveis, torna o quadro algo impreciso. Uma ampla maioria das crianças é descrita pelos pais e responsáveis como seletivos, apesar de não apresentarem prejuízo ao estado nutricional, nos horários e práticas alimentares. Os alimentos mais rejeitados são verduras, legumes e frutas.

Vou dar prosseguimento num próximo post sobre esse assunto, já que recebo um expressivo número de e-mail com queixas de mães sobre este assunto. É uma questão que angustia os pais, avós e cuidadores. Tentaremos aqui falar com clareza e elucidar a importância de se identificar uma anorexia verdadeira, que pode trazer prejuízo à saúde e desenvolvimento da criança.

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