O que é dispepsia funcional e sua relação com hábitos alimentares

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A dispepsia caracteriza-se por um conjunto de sintomas relacionados ao trato gastrin­testinal superior, como dor, queimação ou desconforto na região superior do abdômen, que podem estar associados à saciedade preco­ce, empachamento pós-prandial, náuseas, vômitos, sensação de distensão abdominal, cujo aparecimento ou piora dos sintomas pode ou não estar relacionado à alimentação ou ao estresse.
A dispepsia funcional, por sua vez, também conhecida como dispepsia não ulcerosa ou síndrome dispéptica é uma desordem heterogênea em que não se consegue identificar a causa para os seus sintomas. O mecanismo fisiopatológico ainda é desconhecido e o tratamento ainda não está totalmente estabelecido

Embora várias definições sejam usadas para descrever a dispepsia funcional, a mais comum é a dor, queimação ou desconforto crônico ou recorrente. De acordo com a classificação de Roma III, a dispepsia funcional está dividida em duas categorias principais: a síndrome do desconforto pós-prandial e a síndrome de dor epigástrica.
A dieta e o estilo de vida podem estar diretamente relacionados com os sintomas na dispepsia funcional. Os fatores potenciais relacionados com a dieta são a ingestão calórica total e a composição de nutrientes das refeições. Já os fatores relacionados com o estilo de vida incluem o exercício físico, tabagismo, hábitos de sono, bem como o estado emocional (incluindo estresse e ansiedade).
Os alimentos ricos em gordura, carboidratos simples, leite e derivados, frutas cítricas, alimentos condimentados, café e bebidas alcoólicas estão entre os principais fatores relacionados com o aumento dos sintomas. No entanto, os estudos nessa área ainda são inconsistentes.
A tabela a seguir mostra as associações encontradas entre os sintomas dispépticos específicos e a influência da ingestão de alguns alimentos:

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Fonte: Adaptado de Feinle-Bisset & Azpiroz, 2013.
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Meu filho não come 3 – seletividade

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Mas diante da resistência da criança à alimentação, como proceder?

Alguns autores sugerem que sejam listadas as preferências das crianças e que, semanalmente, sejam acrescentados dois novos alimentos com texturas similares ao grupo original. Para aqueles que só comem purês, a viscosidade deve ser aumentada gradualmente, reduzindo a água ou acrescentando batata, além de estar sempre oferecendo alimentos duros, que podem ser pegos com as mãos.

Outros autores sugerem que na transição para os alimentos sólidos, devam-se oferecer alimentos semi-sólidos, como cenoura bem cozida, batata cozida, que estimulariam a criança a experimentar alimentos mais sólidos. Crianças que bebem muito leite devem ter a quantidade de alimentos semi-sólidos e sólidos aumentada progressivamente. Frente à solicitação de leite, os pais devem oferecer um outro alimento, que a criança goste, para que aprenda a diferenciar a fome da sede.

Os pais devem se preparar para a resistência de seus filhos diante das novas atitudes. Por isso ajam naturalmente, sem expectativas ou ansiedades. Os novos alimentos tendem a ser rejeitados, portanto a oferta deve ser repetida várias vezes em dias diferentes e/ou em refeições diferentes; pois é através da experiência que as crianças aprendem e desenvolvem as associações entre as características sensoriais dos alimentos, o contexto social e as conseqüências fisiológicas e psicológicas de alimentar-se.

As inovações dietéticas podem aumentar a ingestão de alimentos, assim como a monotonia alimentar (repetição frequente do mesmo cardápio) tende a acarretar a diminuição do apetite. Desta forma, a avaliação do cardápio habitual deve ser feita, com a sugestão de alimentos adequados à idade da criança, variando sua composição, utilizando equivalentes, e realizando mudanças nas preparações e apresentação. SPOCK56 observa que uma simples mudança no tempero é capaz de estimular a criança seletiva a comer outros alimentos, desejáveis. Porém, há limites de paladar.

Existem algumas linhas de conduta por vezes diversas, para a criança seletiva (https://lenitamunhoz.wordpress.com/2014/03/07/meu-filho-nao-come/), porém em alguns pontos todos autores são unânimes: a família deve ser orientada para que o ambiente nas refeições seja descontraído, amistoso, e a atmosfera seja determinada por uma boa conversa e pelo olhar cúmplice dos pais. A criança não deve ser ameaçada, pois quando chorosa, triste ou medrosa não consegue comer.  É recomendável que no início, se permita que a criança se alimente sozinha, manipulando os alimentos, mesmo se sujando, sem se preocupar com as boas maneiras durante as refeições, para que ela sinta o prazer do alimento. Em síntese, ambiente calmo e pais relaxados promovem a auto confiança da criança, que obtém o prazer natural em alimentar-se.

A educação nutricional é a conduta preventiva da seletividade alimentar da criança. Tem como objetivo desenvolver atitudes adequadas em relação ao alimento, considerando aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais. O conhecimento sobre como e o que comer é o primeiro degrau para obter um comportamento alimentar saudável. Mesmo em casos de seletividade alimentar já estabelecida, há espaço para a reeducação nutricional do binômio mãe/filho. O conhecimento instiga à mudança, mas só obtém resultado quando as pessoas desejam mudar.

Restringir o glúten da dieta favorece o emagrecimento?

427171_265985296808734_264220393651891_665815_311429889_nAté o momento não existe nenhuma evidência científica que justifique a restrição total do glúten na dieta para promover a perda de peso de pacientes com sobrepeso ou obesidade, que não tenham doença celíaca ou sensibilidade ao glúten. De maneira geral, a adesão ao padrão alimentar sem glúten pode resultar em baixa ingestão de alimentos ricos em carboidratos que, de forma indireta, pode favorecer a perda de peso.

Poucas pesquisas têm sido realizadas com o objetivo de investigar o papel da restrição ao glúten no emagrecimento. Recentemente, Soares e colaboradores, em 2013, realizaram um estudo em ratos com o objetivo de avaliar o efeito de uma dieta isenta de glúten sob o peso corporal, adiposidade, perfil inflamatório do tecido adiposo e homeostase da glicose. Os pesquisadores observaram efeitos benéficos de dietas sem glúten em reduzir o ganho de adiposidade, inflamação e resistência à insulina. Entretanto, os dados ainda são preliminares para justificar uma recomendação de restrição ao glúten entre os pacientes com excesso de peso.

De acordo com o parecer do Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (CRN-3), publicado em dezembro de 2011, “a recomendação de restrição de consumo de glúten deve ser destinada aos pacientes com diagnóstico clínico confirmado de doença celíaca, de dermatite herpetiforme, de alergia ao glúten, ou quando, eliminada a hipótese de doença celíaca, haja diagnóstico clínico confirmado de sensibilidade ao glúten (também denominada como intolerância ao glúten–não celíaca). Deve-se salientar que o diagnóstico clínico é de competência exclusiva do médico”. O documento ainda reforça que “o descumprimento dessa diretriz oferece indícios de infringência ao código de ética do nutricionista por desrespeito ao princípio fundamental explicitado no seu artigo 1º e pelo descumprimento do artigo 6º, inciso VI, sujeitando os infratores a processo disciplinar e às penalidades previstas na legislação”. (Nutritotal)

Meu filho não come 2 – uso de suplementos

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Muitas vezes a alimentação dos filhos se torna um fardo pesado que exige paciência, tempo e persistência. Por isso, muitos problemas alimentares não dizem respeito à relação direta com o alimento, mas são decorrentes de conflitos oriundos das relações intra familiares que acontecem no âmbito alimentar.

Por essa razão, freqüentemente, é observado o pedido dos pais (avós e cuidadores) para a prescrição de estimulantes do apetite, juntamente com suplementos vitamínicos e minerais. A ânsia de que seu filho coma, e o receio da desnutrição e doenças “por falta de resistência”, assustam os responsáveis. É claro que uso de estimulantes do apetite tem o seu lugar, mas a utilização deve ser cuidadosa, criteriosa e refletir o entendimento da origem, e não apenas servir como um paliativo na substituição de uma adequada investigação de cada caso e um diagnóstico, ou mesmo da alimentação convencional.

Outro aspecto é o da indicação de suplementos vitamínicos à criança seletiva (https://lenitamunhoz.wordpress.com/2014/03/07/meu-filho-nao-come/). Uma investigação realizada com escolares indianos cujo padrão alimentar era monótono e com inadequações de cálcio, ferro, zinco, vitamina A, riboflavina, acido ascórbico e folato mostrou que tanto a suplementação medicamentosa como a fortificação alimentar favoreceram melhoria do estado geral de saúde.

Os pais que procuram os profissionais da área da saúde esperam, de modo geral, algo além da tranqüilização; querem sugestões práticas que facilitem seu dia a dia, e que levem seu filho a comer adequadamente, de acordo com suas expectativas. Observamos e entendemos a angustia dos pais, mas também precisamos elucidar que determinados comportamentos por parte desses pais, não favorecem a melhora do quadro, que por vezes, nem é tão preocupante. Além disso, a pesquisa e diagnóstico nem sempre são tão rápidos e com resultados tão imediatos.

Por isso, a avaliação de cada caso deve ser feita com cuidado e de forma criteriosa por um bom profissional que explicará a esses pais cada etapa do tratamento e das atitudes a serem tomadas, além da necessidade da prescrição de suplementos ou não.

Meu filho não come

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Essa é uma queixa comum em consultório. Parece que essa queixa tem se intensificado de uma forma impressionante nos últimos anos. Muitas são as razões e já discutimos isso por aqui inúmeras vezes. Dados norte-americanos mostram que 10 a 25% das crianças têm algum transtorno alimentar. Este índice pode atingir cerca de 80%, quando é analisada a rejeição alimentar mediante comportamento aprendido. Um dos mais freqüentes distúrbios alimentares é a seletividade alimentar, embora muitos profissionais não concordem com essa afirmação. São reconhecidas suas principais características clínicas, na tríade de recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento.

Abaixo fazemos algumas considerações de alguns tipos de anorexia.

A anorexia fisiológica, como evidenciado pela denominação, não é um distúrbio verdadeiro, porém por vezes é relatado como tal pelos responsáveis. Instala-se na maior parte das vezes entre 6 e 12 meses de idade, acentuando-se ao final do 1º ano de vida; pode durar cerca de 4 a 5 anos. Neste período, a criança apresenta uma diminuição do apetite, devido à desaceleração no seu crescimento. Além disso, o interesse pelo alimento é substituído pela enormidade de estímulos e descobertas que a criança faz no meio ambiente. Nesta situação, a redução do apetite é global, a queixa não tem desencadeante e início bem determinados, não há outros dados referentes a distúrbios psíquicos da criança, da mãe, do vínculo entre mãe e filho, ou de problemas sociais relevantes. A criança não apresenta alteração do estado nutricional.

anorexia infantil ou anorexia verdadeira caracteriza a criança que não consome, espontaneamente, uma quantidade de alimentos suficiente para o adequado crescimento e desenvolvimento. As condições desfavoráveis à aceitação alimentar podem ser de origem orgânica ou comportamental.

A anorexia subjetiva caracteriza a situação na qual a criança come pouco na opinião dos familiares, porém apresenta crescimento dentro do considerado normal e esperado. O quadro sobrepõe-se ao da anorexia fisiológica, exceto pelo posicionamento dos pais ou responsáveis.

pseudo-anorexia fica caracterizada frente à recusa alimentar determinada por dificuldade de mastigação e/ou deglutição, presença de aftas, fissura palatina, estomatite, dores dentárias ou outras condições que provoquem dor e sofrimento.

anorexia seletiva ou seletividade alimentar caracteriza a criança que apresenta recusa total ou parcial a determinado(s) tipo(s) de alimento(s). No seu extremo o quadro é bastante característico, porém, a existência de paladar e de preferências alimentares entre as crianças saudáveis, torna o quadro algo impreciso. Uma ampla maioria das crianças é descrita pelos pais e responsáveis como seletivos, apesar de não apresentarem prejuízo ao estado nutricional, nos horários e práticas alimentares. Os alimentos mais rejeitados são verduras, legumes e frutas.

Vou dar prosseguimento num próximo post sobre esse assunto, já que recebo um expressivo número de e-mail com queixas de mães sobre este assunto. É uma questão que angustia os pais, avós e cuidadores. Tentaremos aqui falar com clareza e elucidar a importância de se identificar uma anorexia verdadeira, que pode trazer prejuízo à saúde e desenvolvimento da criança.

Estratégias nutricionais para pacientes com sarcopenia

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Diversos estudos têm demonstrado que a atividade física (em particular o exercício de resistência) e intervenções nutricionais específicas podem melhorar a força e massa muscular em idosos. As estratégias nutricionais têm o foco de utilizar alguns nutrientes com a capacidade de promover o anabolismo proteico muscular e/ou prevenir a perda muscular.

Os nutrientes mais estudados na sarcopenia são vitamina D, leucina, hidroximetilbutirato (HMB) e ácidos graxos ômega-3, conforme mencionados a seguir:

Vitamina D:
A vitamina D participa de diversos processos metabólicos do músculo, sendo a fraqueza muscular um sintoma típico associado com sua deficiência. A síntese de proteínas e o consequente crescimento de células musculares esqueléticas são ativados por receptores de vitamina D. Os estudos sugerem que os baixos níveis sanguíneos de vitamina D causam redução do processo de anabolismo muscular. Além disso, a deficiência de vitamina D está envolvida na diminuição da secreção de insulina e aumento da degradação muscular. Alguns estudos clínicos demonstraram que a suplementação com vitamina D (800 UI de vitamina D, administrada em indivíduos com 65 anos ou mais) aumentou consideravelmente a força muscular após 2 a 12 meses de tratamento.

Leucina:
Os aminoácidos essenciais regulam diversos processos celulares, em particular, a taxa de síntese e degradação de proteínas. Essas evidências têm sido relacionadas particularmente para o aminoácido leucina. Um estudo comparou os efeitos de uma dose única de aminoácidos de cadeia ramificada (6,7 g) com diferentes quantidades de leucina (2,8 contra 1,7 g de leucina) sobre a síntese proteica pós-prandial em idosos. Os pesquisadores encontraram que os indivíduos suplementados com a dose mais elevada apresentaram um aumento significativo na síntese proteica em comparação com os indivíduos suplementados com uma dose mais baixa de leucina. Esses resultados sugerem que a suplementação de leucina tem potenciais efeitos sobre o metabolismo muscular em idosos e que há uma dose mínima que exerça esses efeitos. Até o momento, entretanto, não há evidências conclusivas de que a suplementação de leucina seja capaz de aumentar a massa muscular ou a força muscular em idosos.

Hidroximetilbutirato (HMB):
HMB é um metabólito do aminoácido leucina que tem sido estudado por sua capacidade de estimular o ganho de massa muscular. Estudos recentes demonstram que o HBM pode também proteger e reestruturar o músculo nos indivíduos com maior risco de lesão muscular e/ou que apresentam grande perda de massa magra. Estudos experimentais avaliam que as propriedades anticatabólicas do HMB estão relacionadas com a capacidade de estabilizar a membrana da célula muscular, modular a degradação de proteínas e estimular a síntese proteica. No geral, os resultados demonstram que o HMB, sozinho ou como parte de uma mistura de aminoácidos em nutrientes, reconstruiu a massa corporal magra e melhorou a síntese de proteínas em pacientes de cuidados a idosos e críticos. Esses estudos demonstraram um bom perfil de segurança para a suplementação de HMB e recomendam uma dose diária eficaz de 3 g/dia.

Ácidos graxos ômega-3:
Algumas evidências sugerem que o ômega-3 pode ser também um agente terapêutico potencialmente útil para o tratamento e prevenção da sarcopenia.  O estudo publicado por Smith e colaboradores, avaliou em 16 idosos saudáveis a suplementação de ômega-3 durante oito semanas, na quantidade de 4 g/dia (contendo 1,86 g de ácido eicosapentaenóico [EPA] e 1,50 g de ácido docosahexanoico [DHA]). Os pesquisadores observaram que a suplementação estimulou a síntese de proteína muscular, confirmando o efeito benéfico desse nutriente para indivíduos com sarcopenia.(Nutrit.)

O que é sarcopenia?

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A sarcopenia é uma síndrome caracterizada pela perda progressiva e generalizada da força e massa muscular, que ocorre em consequência do envelhecimento. Os mecanismos envolvidos no aparecimento e progressão da sarcopenia são multifatoriais, incluindo alteração na síntese de proteínas, proteólise, perda da integridade neuromuscular, aumento da inflamação, níveis hormonais alterados, desnutrição e alteração no sistema renina-angiotensina. A perda muscular é quantitativa e qualitativa, com implicações na composição da fibra muscular, inervação, contratilidade, características de fadiga, densidade capilar e metabolismo da glicose.

Embora a sarcopenia seja observada principalmente em idosos, também pode se desenvolver em adultos jovens, em casos de demência e osteoporose. Os principais fatores de risco para a sarcopenia incluem sexo feminino, sedentarismo, tabagismo, atrofia por desuso, saúde fragilizada e fatores genéticos.

A sarcopenia pode ser dividida em duas categorias: primária e secundária. Ela pode ser considerada “primária” (ou relacionada com a idade) quando nenhuma outra causa é evidente além do próprio envelhecimento. Já a sarcopenia “secundária” ocorre quando uma ou mais causas são evidentes, como mostra a tabela a seguir:

Sarcopenia Primária: Nenhuma outra causa além do envelhecimento

Secundária:

  • sedentarismo, descondicionamento físisco, restrição ao leito, condição de gravidade zero.
  • Doenças em órgãos como pulmões, coração, fígado, rins; câncer, doenças inflamatórias, doenças endócrinas, etc.
  • desnutrição, ingestão insuficiente de proteínas, má absorção, distúrbios gastrintestinais